Insights

View of the Week – Uma estimativa para o núcleo da inflação americana ex-IA

08 setembro 2026

A inflação medida pelo núcleo do PCE voltou a acelerar a partir do final do ano passado, subindo cerca de 60 pontos-base desde outubro na variação acumulada em 12 meses. Essa dinâmica poderia sugerir uma reversão do processo de desinflação observado após os picos atingidos no final de 2022, mas uma análise mais detalhada da composição do índice revela um movimento bastante concentrado e particular.

O gráfico desta semana mostra que a exclusão de apenas três itens (Computers & Peripheral Equipment, Software e Financial Services) reduziria a pressão sobre o núcleo do PCE em aproximadamente 50 pontos-base. Nota-se, ainda, que a contribuição desse grupo tem crescido de forma persistente desde 2024.

Atribuímos parte importante desse movimento aos efeitos diretos e indiretos do avanço da inteligência artificial. Os dois primeiros itens compreendem bens de tecnologia cujos preços subiram em função do crescimento exponencial da demanda por insumos destinados ao investimento em infraestrutura para inteligência artificial. O terceiro, por sua vez, representa uma medida dos custos de serviços financeiros, como consultorias de investimento, que apresentam elevada correlação com o desempenho da bolsa americana, também impulsionada pela boa performance de ações ligadas a essa tese de investimento.

Compreender os fatores por trás dessa dinâmica é essencial para avaliar como a política monetária deveria reagir. Nesse caso, por exemplo, parte importante da aceleração recente parece estar mais relacionada à dinâmica particular do choque provocado pela expansão da tecnologia de IA do que ao comportamento geral da demanda agregada. Por outro lado, isso não altera o fato de que a inflação segue em níveis superiores à meta desde 2021, mesmo quando excluímos os itens destacados.

Voltar