No dia 30 de setembro, o U.S. Bureau of Economic Analysis publicou, junto com a leitura de agosto do PCE (Personal Consumption Expenditures), uma revisão metodológica da série histórica, contemplando dados desde 2021. Para a inflação, o resultado foi uma revisão para baixo de 34 pontos-base no índice cheio e de 36 pontos-base no núcleo, em linha com o esperado por especialistas.
O que chama atenção, além da dinâmica um pouco mais benigna da inflação americana, ainda que permaneça indiscutivelmente acima da meta, é a confirmação de que núcleos alternativos, defendidos como métricas mais confiáveis inclusive por membros do FOMC, sofreram alterações muito pequenas após os ajustes. Vale destacar, nesse contexto, a métrica apresentada no View of the Week de 08/09/2026, que exclui efeitos associados à expansão da inteligência artificial e à consequente valorização do mercado de ações.
O gráfico desta edição compara a magnitude das revisões aplicadas às principais métricas de inflação acumulada em 12 meses até julho. Enquanto as medidas mais tradicionais foram revisadas para baixo em mais de 30 pontos-base, alternativas como Median PCE, Trimmed Mean PCE e nosso Core PCE ex-AI sofreram ajustes inferiores a 5 pontos-base.
Esse padrão não é coincidência. Núcleos como a mediana e a média aparada são construídos justamente para reduzir a influência dos itens mais voláteis a cada mês, minimizando os efeitos de variações extremas concentradas em poucos itens.
As revisões favoráveis, somadas a discursos recentes que sinalizam maior cautela de membros do FOMC em relação ao ritmo de flexibilização monetária, contribuíram para ajustes relevantes nas expectativas de mercado, que agora atribuem maior probabilidade à manutenção dos juros na próxima reunião do Federal Reserve, em vez de um novo corte.

